
Há vários anos atrás, mais especificamente em 1999, em um Seminário de Educação, o palestrante falava da Educação à Distância, contando que era professor nesta modalidade. Explicava então que não demoraria muito para que a EAD se expandisse e fosse uma realidade rotineira no Brasil. O público presente não acreditou muito, parecia uma daquelas previsões futuristas que nunca aconteceriam...Eis que o futuro chegou e a Educação à Distância tornou-se uma realidade eficiente e de qualidade...Mas as relações entre aluno, professor, tutor precisam ser monitoradas constantemente, para que o aluno sinta-se pertencente ao sistema, sinta-se acolhido e próximo, mesmo estando distante fisicamente.
Diante da realidade da EAD no Brasil, uma das causas da evasão do aluno no sistema EAD é a dificuldade de comunicação com o tutor eletrônico e a falta de interesse deste profissional em mediar ansiedades e angústias do aluno.
De acordo com as atribuições apresentadas pela proposta de ensino da instituição é inerente ao tutor, sensibilidade, afetividade e receptividade para que o aluno, ao procurá-lo, sinta-se acolhido e menos distante, superando as barreiras da distância física. A atenção ao aluno deverá ser redobrada, a leitura das mensagens (inclusive nas entrelinhas), deve ser cuidadosa para que o tutor entenda o questionamento do aluno e possa assessorá-lo naquilo que lhe for mais produtivo. Paralela as relações desta natureza, muitas vezes o aluno não se faz entender, ou seja, não demonstra clareza, ou não consegue se expressar como deveria, ao tratar sobre sua dificuldade por falta de informação, e o tutor, desatento, nem sempre auxilia com objetividade. Da mesma forma, muitas vezes as mensagens que o tutor eletrônico envia, podem gerar diferentes interpretações, causando prejuízo ao aluno em sua caminhada.
É premente aos coordenadores de cursos, buscar respostas aos seguintes questionamentos: -Será que o tutor eletrônico compreende a concepção do curso? Será que ele tem a nítida noção de sua responsabilidade em relação ao aluno? A percepção que temos é a de que o tutor eletrônico , ao desenvolver seu trabalho, ao utilizar o computador, gerenciando um grupo de alunos, não deve esquecer, nunca, que do outro lado de sua tela existem pessoas de verdade, que pensam, que criticam, que aceitam, que questionam, que desejam , que exigem, enfim, seres humanos de verdade.
Usando uma metáfora, poderíamos comparar o sistema EAD como um novelo de lã tecendo uma manta de tricô. O fio é o aluno, mas quem segura o fio é a agulha, que seria o tutor de sala e a mão que tece o fio é o tutor eletrônico. A pessoa que pensa e decide que ponto utilizar é o professor especialista, mas este escolhe o ponto conforme um estudo das necessidades de quem vai utilizar, ou seja, o público alvo... portanto, o tutor eletrônico deve trabalhar em constante comunicação e sintonia com o tutor de sala, pois a agulha e a mão sempre estão juntas no tricô.
Assim, diante dessa perspectiva, torna-se necessário uma maior conscientização profissional, principalmente a do tutor eletrônico e o tutor de sala, que estão em relação direta com o aluno, pois estes dois profissionais são primordiais para que o aluno sinta-se acolhido. Justamente por isso surge a necessidade do cumprimento com eficiência de seu papel como profissional, de forma ética e comprometida, características essenciais em qualquer profissional que atue em EAD.
Diante de tudo o que foi exposto, é importante haver o gerenciamento das funções tutoriais, para assim contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento da Instituição, onde alunos satisfeitos e bem conduzidos apresentam maior possibilidade de se manter e formar opinião cada vez mais positiva do Ensino à Distância.
Conforme Moran (2000 ,p. 61)”na sociedade da informação, todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar; reaprendendo a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.” Assim, a tecnologia sempre deve estar beneficiando e facilitando as relações humanas e quando percebe-se um vazio nestas relações, é necessário um diagnóstico preciso e objetivo para que se encontre a alternativa mais eficiente na resolução deste vazio, seja ele de ordem física, emocional ou social.
Através de uma busca bibliográfica, percebeu-se que uma das causas da evasão do aluno no sistema EAD seria a dificuldade de comunicação com o tutor eletrônico e a falta de interesse deste profissional em relação ao aluno. Cabe ao tutor, então, uma parcela significativa de responsabilidade quanto à permanência dos alunos, o que implica um trabalho permanente de facilitação e de orientação da aprendizagem do aluno, por meio de apoio pedagógico, de acompanhamento sistemático e de criação de espaços para troca de experiências entre os participantes. Tudo isso exige uma atuação permanente e dinâmica, alerta às dificuldades do aluno ao longo do seu processo de aprendizagem. É fundamental que o tutor conheça o perfil do aluno e suas expectativas em relação ao curso
Em relação a interação que deve haver entre o tutor, a equipe pedagógica e o aluno, é possível afirmar que:
O tutor constitui um elemento dinâmico e essencial no processo ensino-aprendizagem, oferecendo aos estudantes os suportes cognitivo, metacognitivo, motivacional, afetivo e social para que estes apresentem um desempenho satisfatório ao longo do curso. Deverá, pois, ter participação ativa em todo o processo. Por isso, é importante que se estabeleça uma vinculação dialogal e um trabalho de parceria entre o tutor, o professor/especialista e a equipe pedagógica. Isso valorizará a figura do tutor, garantirá a qualidade do ensino oferecido e servirá de “exemplo” aos alunos ao ver ser posto em prática o processo pedagógico e educativo “intencionalmente” proposto no desenho curricular do curso. (PRETI, 1996, p. 45)

Um processo de aprendizagem é, em sua essência, um processo de mediação cultural e depende da congruência interna de seus elementos, ou seja, do processo pedagógico como um todo e dos instrumentos de mediação que o sustentam, o que implica em cuidado com as relações humanas , uma preocupação em desenvolver ações onde o ouvir, o olhar, o sentir, o pulsar são forças imanentes que definem os níveis das relações que se estabelecem entre os indivíduos.
São as emoções que constituem o domínio de condutas em que se dá a operacionalidade da aceitação do outro como legítimo outro na convivência e é esse modo que conta quando falamos do social. Só são sociais as relações que se fundam na aceitação do outro como um legítimo outro e tal aceitação só ocorre quando os envolvidos têm um certo nível de autonomia.(Cataplan . 2004)
Ser tutor , em resumo, constitui um sinônimo de sensibilidade para perceber o outro que não vê, estabelecendo uma relação autêntica interativa, de fala e escuta virtual. “Quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar, de desafiar quem escuta, no sentido de que, quem escuta , diga, fale, responda.” ( Freire, 1996. P.117)

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