Eloí de Oliveira Batista, Ana Paula, Ana Lucia, Iara e Sílvia.
Alunas do Curso de Especialização Educação a Distância da UNOPAR
A exemplo do Paraná, que criou “e-escola” para formação continuada de professores-tutores, na Secretaria de Estado da Educação, outros estados poderiam fazer formação em serviço em todas as disciplinas, cursos, níveis de ensino, bem como, criar comunidades de aprendizagem dos educadores em geral, tendo um centros de tecnologias na Secretaria de Educação, com pessoal qualificado e habilitado para dar condições de o processo da aprendizagem ter uma continuidade, através das políticas tanto estaduais como do país. Mas o que se constata são programas descontínuos interrompidos conforme a política adotada pelas autoridades do momento.
Hoje não se admite mais, escolas com Laboratórios de Informática fechados e ou sucateados por não ter um tutor habilitado para fazer o elo entre o trabalho pedagógico do professor de sala e o uso dos recursos “computacionais” para mediar as aprendizagens, uma vez que estamos no século XXI, com uma demanda na escola, com as reais necessidades que a sociedade está exigindo: um aluno plugado, sabendo fazer uso dos recursos midiáticos para aperfeiçoar seus conhecimentos para enfrentar a evolução do contexto social, econômico, intelectual e cultural.
O mundo mudou, as formas de ensinar/aprender são outras, a aprendizagem dos estudantes está muito mais relacionada com a interatividade, os conteúdos, sabe-se onde iniciam, mas relativizou-se o ponto de chegada, pelo contexto das tecnologias, daí a necessidade de professor-tutor centrado nas transformações da sociedade e aproveitando a evolução, os recursos para despertar para o bom uso das TICs no processo educacional.
As informações estão disponíveis, portanto precisamos dar acesso aos estudantes de todas as escolas sob pena de ampliarmos a desigualdade e a exclusão, precisamos ajudá-los a selecionar, organizar e processar informações em conhecimentos para a vida, evitando o “lixo eletrônico”. Mas para isso, não se pode exigir que todos os educadores tenham essa competência e essas habilidades de domínio tecnológico, pois muitos não tiveram acesso na graduação acadêmica e nem em formação em serviço.
Sobre aprender a aprender mediado pelas tecnologias significa integrar recursos disponíveis na escola para, enriquecer a pesquisa, a importância da comunicação, do uso das redes sociais para compartilhar conhecimentos e informações. E nesse caso os tutores eletrônicos e ou presenciais têm uma função específica para ajudar a qualificar a aprendizagem do quadro de professores e orientar, ensinar a aprender a alunos e professores.
Na sociedade atual, inúmeros são os contextos, os meios, as estratégias e metodologias proporcionados pela EaD para enriquecer o planejamento do professor, a exemplo o Portal do Professor (MEC) é um site disponível tanto para enriquecer o planejamento como para autoria dos educadores, com novas estratégias para ensinar aprender mediado por tecnologias, com mídias disponíveis na própria escola. Para isso basta uma política de valorização do professor que o desperte para um processo de qualificação nas práticas educacionais.
A função do professor-tutor é desafiadora, REGO (2011) argumenta:
“compreende um conjunto de ações educativas que contribui para desenvolver e potencializar as capacidades básicas dos alunos, orientando-os com vistas ao crescimento intelectual e ao desenvolvimento da autonomia, para ajudá-los a tomar decisões em vista de seus desempenhos e suas circunstâncias de participação.”
A professora Elisabeth Rego, ainda coloca a importância da “tutoria articulada”, isto é, ativa, dinâmica, que faz acontecer, provendo e articulando todo o processo de ensinar /aprender: professor-tutor como autor componente do sistema educacional e também da EaD.
Isso posto, é necessário avançar a reflexão sobre o papel do tutor de sala presencial e do eletrônico como professores/tutores responsáveis pela mediação do processo de construção de conhecimentos. Vistos por esse ângulo, a discussão torna-se pertinente, principalmente, como uma nova visão sobre esse profissional de ponta do processo, que cria e inova soluções de melhoria de qualidade de ensino, no sentido de abranger as exigências do novo século XXI.
Nas aulas do Curso de Educação a Distância deu para perceber a importância de modelos tutorias e processos de ensino mediado por tecnologias, características funcionais e experiências em tutoria, imprescindíveis para o novo olhar para o tutor de sala e eletrônico. Aquele docente que está lado a lado com o estudante, acompanhando seu progresso, sugerindo, estimulando-o e apoiando-o técnica- e metodologicamente a prosseguir aprendendo, superando dificuldades intelectuais e de acesso.
É imprescindível, como forma de qualificar a educação a distância que o tutor seja visto como o docente que contribui para o processo de interatividade e compartilhamento de experiências junto aos demais membros que constituem a infraestrutura (técnica-pedagógica e administrativa) de cursos em EaD, tanto de Extensão, graduação e pós, como Livres (formação continuada), numa perspectiva de inclusão social dos professores e alunos revendo o aspecto do ensino humanista e solidário.
Para melhor argumentar, CORTELAZZA (2009, p. 21), afirma que para a qualidade da aprendizagem:
“É fundamental que o estudante interaja com outras pessoas (professor, tutor, colegas e especialista) e que faça parte de uma comunidade de prática, de aprendizagem, de pesquisa, ainda que temporariamente.
A autora firma que os Cursos de Licenciatura, tanto a distância como o presencial deixam uma lacuna na educação ao ignorarem as pesquisas sobre o desenvolvimento da aprendizagem mediada pelas tecnologias. E é nesse contexto que se insere o tutor como elo integrador do processo educacional, uma vez que a maioria dos professores não teve esse conhecimento na graduação ou na especialização.
Ao contrário da transmissão unidirecional de conhecimentos, hoje já se observa alguns cursos, usando a interação e a mediação, quando colocam além dos materiais da mídia, tutor eletrônico e presencial junto aos estudantes para criar esse elo integrador entre a instituição e o aluno, mais objeto, evitando dessa forma, a instrução programada como metodologia, da qual estamos sempre constatando críticas negativas.
Para reafirmar, CORTELAZZA (2009, p.127):
“explica que as fases de interação, cooperação e colaboração são estágios necessários para o desenvolvimento de usuários das tecnologias de informação e comunicação competentes tanto no cotidiano educacional, como nos contextos profissional e social.”
Atualmente, muitas instituições estão se voltando para a inserção das tecnologias no processo educacional criando redes colaborativas para trocas, ambientes virtuais de aprendizagens porque veem nas TICs as possibilidades de desenvolvimento do ensinar e aprender.
Cortelazza 2009 divide a tutoria em duas instâncias, assim resumidas:
a) Local- acompanha o aluno no polo de apoio presencial com função de acolher, acompanhar, esclarecer dúvidas, supervisionando as atividades, controlando e avaliando a proposta de curso.
b) Central- formada por equipes com função de apresentar diretrizes gerais, programas, acompanhamento e orientação de tutores, supervisionando as ações e orientações, tutoria online.
A autora argumenta que “os tutores precisam ter formação continuada para que possam resolver questões pedagógicas e acadêmicas referentes a cada curso conforme elas vão se modificando.”
FUNÇÕES DA TUTORIA
-Acolhida;
-Acompanhamento;
-Orientação;
-Avaliação;
AÇÕES DO TUTOR
a) Motivação- incentivo; apoio; sentimento de pertença;
b) Docente- esclarecimento; apresentação de informações;
c) Supervisor – acompanhamento;
d) Orientador – instruções de estudo;
e) Avaliador- avaliação do processo;
CORTELAZZA, (2009, p.141) afirma:
“A ação do tutor não implica um movimento unidirecional, mas uma interação social comunicativa intencional que só acontece com afetividade e eficácia se houver a participação de todos os envolvidos.”
Assim, os materiais, o ambiente virtual de aprendizagem e a prática pedagógica bem estruturada, o tutor, formam o conjunto necessário para a educação de qualidade e o resultado de um processo educacional melhorado.
Portanto o texto fica aberto para continuarmos a discutir o tema, pois estas reflexões abrem espaços para quem gosta do assunto...
REFERÊNCIAS
CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo.Prática Pedagógica, Aprendizagens e Avaliação em Educação a Distância. Curitiba: Ibepex,2009.
KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância. Campinas, SP:Papirus, 9ª Ed. 2003
PALOFF, Rena M.;PRATT, Keith. Construindo Comunidades de aprendizagem no ciberespaço. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SANCHO, Juana Maria...[et al.]. Tecnologias para Transformar a Educação. Tradução Valério Campos. Porto alegre: Artemed, 2006
Tecnologias na Educação. Ano2, nº1, julho de 2010. http//tecnologiasnaeducacao.pro.br/